Repórter saiu de Fortaleza, Ceará, para conhecer a cidade histórica.
Alessandro Torres conheceu, museus, igrejas e uma antiga mina de ouro.
Nesta sexta-feira (28), o Tô de Folga é com o repórter Alessandro Torres. Ele saiu de Fortaleza, no Ceará, e foi para a cidade histórica de Ouro Preto, em Minas Gerais. Alessandro se surpreendeu com a arquitetura das casas e prédios. Subiu e desceu ladeiras visitando museus e igrejas, e o passeio terminou com uma viagem de trem até Mariana, uma cidade vizinha de Ouro Preto, também histórica. Veja como foi o passeio:
"Pouco mais de uma hora e meia de viagem, partindo de Belo Horizonte, e a cidade que eu sempre quis conhecer aparece Graciosa, encravada nas montanhas. Na entrada de Ouro Preto, ruas estreitas me levam num túnel do tempo ao século 18.
No Museu da Inconfidência, quem gosta de história, como eu pode passar horas admirando o acervo de objetos usados pelos índios, portugueses, escravos. Os túmulos dos inconfidentes, que sonhavam com o Brasil independente de Portugal, estão aqui. Do mais conhecido deles, Tiradentes, tem objetos pessoais, a sentença da rainha de Portugal que o condenou à morte, e as traves usadas na forca. Até o prédio, que já teve uma cadeia, conta muito do que aconteceu aqui.Logo na chegada, a gente se depara com a Praça Tiradentes, o ponto mais famoso da cidade. No monumento ficou exposta a cabeça do líder da Inconfidência Mineira Joaquim José da Silva Xavier. E, agora, eu vou pegar meu roteirinho com os principais pontos turísticos da cidade, aconselho todos os turistas a fazerem o mesmo com um mapa, e escolher os locais que eu vou visitar primeiro.
Depois que você entra, que você entende a história é que se percebe o que foi tudo isso. A gente imagina o sofrimento que as pessoas passaram naquela época, como foram condenados até, muitas pessoas provavelmente acabaram morrendo neste local, então a gente vê o que se passou, um pouco da história mesmo.
Nas ruas de casarios, obrigatoriamente preservados, o passado está o tempo todo diante dos olhos. O Museu do Oratório me leva a pensar na relação da fé com a riqueza da época: quase todo mundo tinha um em casa, mas, quanta diferença entre o oratório do pobre e o do rico.
Por falar nisso, no Museu da Casa dos Contos a gente vê que os escravos, que dormiam em senzalas como as que eram responsáveis até pela Fundição das Moedas com as quais eram comprados e explorados.
Na visita entre um museu e outro, você pode ir até um parque chamado Vale dos Contos. Ele fica bem no meio da cidade e ainda mantém a mata preservada, inclusive com corredeiras. O segundo jardim botânico do Brasil é o espaço ideal, para quem percorre tantas ladeiras entre uma visitação e outra, poder relaxar e contemplar a natureza.
Difícil é escolher uma das igrejas bicentenárias para visitar. Vou logo à de São Francisco de Assis. Bem em frente à feirinha de artesanato, ela reúne as obras de Aleijadinho no altar e a pintura de Mestre Ataíde no teto, que parece nos levar até o céu.
Eu fiquei curioso para saber de onde veio o ouro que ornamenta as igrejas, então, vou até a mina de Santa Rita, uma das primeiras de Minas Gerais. Com um jeito próprio, o guia Jeferson dos Santos me dá a maior aula de história que já tive.
“Tente imaginar que para cada mil quilos de rocha, em torno de 12 gramas de ouro. E nas argilas onde estava mais concentrado é chamado de veia. E um dito popular: "acertei. Deu na veia", era quando achava os veios de quartzo e a moscovita achou a veia. Pode cavar que a mina está produtiva".
Andando com dificuldade pela mina, descubro os horrores que os escravos viviam. A maioria dos escravos que trabalhava nas minas ficava surdos devido ao barulho muito intenso, ficavam cegos devido às partículas que batiam nos olhos e o pior mal era a sílica que ia para os pulmões transformando-os em pedra. Começavam aos cinco anos, aos 17 já estavam morrendo afogados no seco, e a coisa era mais ou menos assim, o dia inteiro, maus tempos.
Em um momento da exploração da mina, Jeferson convida os visitantes a sentirem exatamente os que os escravos sentiam. Os visitantes percebem como é que os escravos ficavam 12, 15 horas por dia só à luz de candeeiro, numa posição extremamente desconfortável, num lugar totalmente fechado, úmido. E aí, quem chega, vai levar a sensação para o resto da vida como a memória de um dos capítulos mais cruéis da história da humanidade que foi a escravidão.
Chegando a hora de me despedir de Ouro Preto, faço isso em grande estilo: num percurso de trem que foi projetado por Henrique Dumond, pai de Santos Dumond e inaugurado por Dom Pedro II. O passeio, de uma hora, leva à também cidade histórica de Mariana. Do vagão panorâmico contemplamos montanhas, cachoeiras, rios e entramos nos túneis construídos no final do século 19.
Agora a gente está na metade do percurso, que é o trecho com mais declive, mais curvas e também a beira de um vale com Mata Atlântica, a gente percebe a diferença na vegetação. Então, para todos nós turistas, fica a sensação de que a viagem vai ficando mais bonita à medida que o trem avança.
Não sou o único deslumbrado tirando fotos todo hora. Na chegada à Mariana, já sinto saudades da Ouro Preto que conheci e que nunca vou esquecer."
Alessandro Torres conta os bastidores da viagem à Ouro Preto. Ele diz que adorou o passeio pela cidade que guarda um pouco da história do nosso país.
“Tente imaginar que para cada mil quilos de rocha, em torno de 12 gramas de ouro. E nas argilas onde estava mais concentrado é chamado de veia. E um dito popular: "acertei. Deu na veia", era quando achava os veios de quartzo e a moscovita achou a veia. Pode cavar que a mina está produtiva".
Andando com dificuldade pela mina, descubro os horrores que os escravos viviam. A maioria dos escravos que trabalhava nas minas ficava surdos devido ao barulho muito intenso, ficavam cegos devido às partículas que batiam nos olhos e o pior mal era a sílica que ia para os pulmões transformando-os em pedra. Começavam aos cinco anos, aos 17 já estavam morrendo afogados no seco, e a coisa era mais ou menos assim, o dia inteiro, maus tempos.
Em um momento da exploração da mina, Jeferson convida os visitantes a sentirem exatamente os que os escravos sentiam. Os visitantes percebem como é que os escravos ficavam 12, 15 horas por dia só à luz de candeeiro, numa posição extremamente desconfortável, num lugar totalmente fechado, úmido. E aí, quem chega, vai levar a sensação para o resto da vida como a memória de um dos capítulos mais cruéis da história da humanidade que foi a escravidão.
Chegando a hora de me despedir de Ouro Preto, faço isso em grande estilo: num percurso de trem que foi projetado por Henrique Dumond, pai de Santos Dumond e inaugurado por Dom Pedro II. O passeio, de uma hora, leva à também cidade histórica de Mariana. Do vagão panorâmico contemplamos montanhas, cachoeiras, rios e entramos nos túneis construídos no final do século 19.
Agora a gente está na metade do percurso, que é o trecho com mais declive, mais curvas e também a beira de um vale com Mata Atlântica, a gente percebe a diferença na vegetação. Então, para todos nós turistas, fica a sensação de que a viagem vai ficando mais bonita à medida que o trem avança.
Não sou o único deslumbrado tirando fotos todo hora. Na chegada à Mariana, já sinto saudades da Ouro Preto que conheci e que nunca vou esquecer."
Alessandro Torres conta os bastidores da viagem à Ouro Preto. Ele diz que adorou o passeio pela cidade que guarda um pouco da história do nosso país.
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